Comunidades e Festas
Os deuses dançam e celebram a vida e assim também fazem os que neles acreditam. Os festejos em grupo, os sons dos tambores, os movimentos dos corpos de todas as cores podem ser instrumentos de oração e reverência às forças espirituais. Afinal, o divino se manifesta na comunhão da alegria com o próximo. É fácil perceber que os cultos afro-brasileiros são comunidades que dominam bem a arte de festejar, um indicativo de que celebração também é história.
Zeca Ligiéro – antropólogo carioca
“Na luta para manter a própria tradição religiosa, os negros desenvolveram várias estratégias. Uma delas foi conviver em harmonia com o catolicismo. Se por um lado, os africanos continuaram realizando seus rituais, mesmo depois de se aproximarem da religião católica, por outro, o candomblé carioca e paulista, o Xangô pernambucano e a Casa de Minas do Maranhão sempre lutaram contra a polícia e o Estado, sempre negociaram para que seus cultos sobrevivessem”.
Pai Bira de Xangô – RJ – Ilê Axé Oju Oba Ogodô
“Nunca foi perguntado aos nossos ancestrais, os escravos, se eles queriam ser católicos ou se aceitavam o sincretismo. Foi uma imposição dos europeus e essa prática passou para as gerações seguintes, sem muita explicação. No sincretismo, Iansã é identificada como Santa Bárbara. Acredito que Santa Bárbara seja um ser iluminado, mas com certeza não é Iansã porque ela vem de mais de quatro mil anos antes de Cristo. Santa Bárbara tem muito menos de dois mil anos. É preciso que se entenda que são diferentes. Nós deixamos de ser colônias, mas, se continuamos no sincretismo, permanecemos colonizados, escravos de outra cultura”.
Mãe Stella de Oxóssi – BA – Ilê Axé Opô Afonjá
“É por isso que eu digo que temos que procurar as nossas raízes religiosas a fim de saber que não precisamos nos encostar em outras religiões para viver com seriedade e veracidade. Cada um que preserve o que é seu. Já sabemos quem é o nosso deus principal, quem são os nossos orixás, o grande protetor, a essência das obrigações e também o que o nosso corpo representa dentro da crença”.
Zeca Ligiéro – antropólogo carioca
“Falar em cultura afro é muito amplo. Talvez o termo ‘afro’ já não dê mais conta de definir a variedade dessas influências. Isso aparece, principalmente, a partir da década de 1920, com a criação das escolas de samba. A cultura negra causou um grande impacto no Rio de Janeiro e, depois, em todo o Brasil. O carnaval é importante, assim como a presença das baianas, do mestre-sala e da porta-bandeira, herança dos antigos cordões. Enfim, tudo isso é apenas uma parte do divertimento”.
Jocélio dos Santos – antropólogo baiano
“Desde o século XIX, quando nós observamos as manifestações culturais negras, não encontramos uma linha rígida que separasse o mundo sagrado do mundo profano. Pelo contrário. Todas as manifestações religiosas e também as de rua, entre eles o samba, revelam essa linha tênue”.
Carlos Negreiros – músico carioca
“Todo mundo sabe que o carnaval não é originalmente negro, mas europeu. Considero que ele foi negrificado ao longo da história. Foi inventado para ocupar os grandes salões, só que o Brasil é uma maravilha e os negros decidiram copiar, mas do seu jeito. Daí surgiram os afoxés, os cordões, as escolas de samba.
Nas casas da Praça Onze coexistiam três ambientes distintos: um mais europeu, onde se tocava polcas, outro mais negro e, no fundo, o batuque para valer. E quem tocava nesses batuques era o mesmo negro que tocava nos terreiros. As duas atividades eram proibidas. Portanto, o cara que era encontrado com alguma percussão, perdia o instrumento e era preso. Candomblé, para poder funcionar, tinha que ter registro na polícia”.
Uma das maiores festas afro-brasileiras surgiu de um escrito apócrifo cristão. Diz o texto que certa vez, a Virgem Maria entrou em dormição, isto é, dormia o sono da morte, diante dos apóstolos de Jesus. O seu corpo imaculado foi então levado a um sepulcro novo, mas quando os apóstolos voltaram lá, três dias depois, encontraram o local vazio e com aroma de flores. A Virgem havia subido aos céus em corpo e alma.
A Virgem recebeu o nome de Nossa Senhora da Boa Morte e seu culto foi trazido ao Brasil pelos padres jesuítas. As primeiras procissões em homenagem à santa aconteceram em Salvador, na Bahia.
Anália da Paz – BA – Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte
“Quando começou, na Barroquinha, a nossa irmandade era muito pobre. A gente lutava, criava porcos, galinhas e tudo o mais no terreiro. Fomos expulsas da região por um governador chamado Madeira de Mello. Foi quando decidimos partir rumo a Santo Amaro e nos instalamos em Cachoeira, onde existe o Engenho da Vitória, lugar que reunia muitos negros alforriados e outros ainda cativos ao trabalho. A irmandade organizou um quilombo para acolher as irmãs, que sobreviviam vendendo pé de moleque, pamonha, feijão e outros quitutes. Sou uma negra feliz por ser membro da irmandade”.
Auranice Corrêa – geógrafa carioca
“Dessa irmandade saíram as primeiras mães-de-santo da Bahia. Foi o primeiro movimento de mulheres numa resistência negra. Elas participaram ativamente em todas as rebeliões dos hauçáis e dos malês e também ajudavam nos quilombos. Elas tinham uma importância social imensa na compra de escravos, na recomposição social, política e religiosa do homem escravizado”.
Nilza de Carvalho – BA – Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte
“A irmandade tem, aproximadamente, 230 anos. Na época da escravidão, as mucamas que trabalhavam na casa dos senhores ajudavam seus irmãos a fugirem para outros quilombos, levando dinheiro, remédio, muitas vezes comprando sua carta de alforria”.
Walmir Pereira – administrador baiano
“A irmandade é conhecida em todas a América como um dos primeiros movimentos abolicionistas de mulheres. Naquela época, o negro era objeto: podia ser vendido, emprestado e alugado. Na verdade, elas queriam acabar com isso. Queriam libertar o negro de uma forma total, buscando a condição de compra da alforria. Era a única forma do negro ser livre”.
Anália da Paz – Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte
“Na época os negros eram todos do culto afro e cultuavam seus deuses na senzala. Havia muito sofrimento, principalmente no Pelourinho, que era um lugar de massacre. Então, a irmandade adotou a Virgem Maria, católica, para acabar com a dor e a humilhação”.
Walmir Pereira – administrador baiano
“Essa era única forma que os negros tinham de se organizar: camuflando sua religiosidade e aderindo à conjuntura católica. Adotaram a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, que na verdade, era um terreiro de candomblé”.
O jongo, também conhecido como ‘dança das almas’, é originária dos pretos-velhos escravos e dotada de forte motivação religiosa. Os cânticos que embalam o movimento dos corpos numa roda de jongo se assemelham aos pontos de umbanda e têm linguagem metafórica, exigindo muita vivência dos jongueiros para o entendimento de seus significados.
Houve um tempo em que os jongueiros eram conhecidos como poetas-feiticeiros porque se arriscavam ao disputar sabedoria. Ao receber um ponto enigmático, o desafiado era obrigado a decifrar na hora e responder à altura. Caso contrário, era enfeitiçado, correndo o risco de desmaiar, perder a voz ou até mesmo morrer sem motivo aparente. Hoje em dia não é mais assim.
Seu Nico – coordenador do Grupo de Dança Caxambú – RJ - Santo Antônio de Pádua
“Essa tradição vem passando desde criança. Eu aproveito o trabalho das crianças para que o jongo não acabe”.
Jocélio dos Santos – antropólogo baiano
“Existem festas muito representativas na Bahia, como a Lavagem do Senhor do Bonfim. Ocorre sempre às segundas-feiras de janeiro e já chamava atenção no século XVIII pela mistura de brancos e negros na celebração. Há uma grande caminhada até a igreja do Senhor do Bonfim, onde as baianas lavam as escadas com água-de-cheiro.
Iemanjá e Santa Bárbara têm festas distintas que atraem grandes multidões. A primeira, comemorada no dia 2 de fevereiro, é mais afro-brasileira. Milhares de pessoas se deslocam do bairro do Rio Vermelho até as praias para entregar oferendas à rainha do mar. A festa de Santa Bárbara, muito popular, é afro-católica. Durante a missa, dedicada à Santa Bárbara - ou Iansã, de acordo com o sincretismo -, pessoas do candomblé entram em transe. Depois, uma procissão varre as ruas de Salvador. No final, já no mercado de Santa Bárbara se oferece um grande caruru à toda aquela multidão”.
Beatriz da Conceição – antropóloga baiana
“Santa Bárbara é a deusa dos raios e dos trovões. Então, essa festa é muito importante porque nós podemos ir até ela fazer os nossos pedidos de paz, união e prosperidade. Flores e água são depositadas na escadaria, que fica muito bonita no dia 4 de dezembro. Os filhos-de-santo, já com as roupas características de cada orixá, batucam o dia inteiro e recebem as entidades. As pessoas da comunidade se misturam, brincam e louvam Iansã, uma guerreira cheia de luz, como a sua festa. Quando nos aproximamos dela, tudo fica positivo, alegre e é recebemos muito axé”.
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A IDÉIA É FAZER UMA COMPILAÇÃO DE VARIOS ARTIGOS, TEXTOS, ENTREVISTAS E ASSUNTOS RELACIONADOS À CULTURA AFRO-BRASILEIRA COM ÊNFASE NA RELIGIOSIDADE DE MATRIZ AFRICANA, AUXILIANDO NO COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E NA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639. AS INFORMAÇÕES AQUI DIVULGADAS NÃO SÃO VERDADES ABSOLUTAS, E SIM UMA CONTRIBUIÇÃO PARA: O POVO DO SANTO, ESTUDANTES, PESQUISADORES, ESCOLAS, UNIVERSIDADES, A SOCIEDADE EM GERAL, CURIOSOS DE PLANTÃO E A QUEM POSSA INTERESSAR. MUCUIU E ASÉ
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Após incêndio, Liesa decide não rebaixar no grupo especial do RJ
Após incêndio, Liesa decide não rebaixar no grupo especial do RJ
Também foi decidido que Portela trocará o dia de desfile e vai para o domingo.
Chamas destruíram barracões de Grande Rio, União da Ilha e Portela.
Do G1 RJ, com informações do Jornal Nacional
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O grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro não terá rebaixamento em 2011. A decisão foi tomada pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) na noite desta segunda-feira (7), após o incêndio na Cidade do Samba, na Zona Portuária, que destruiu os barracões da Grande Rio, União da Ilha e Portela. Também ficou decidido que as três escolas não serão julgadas.
Veja o site do Jornal Nacional
Além disso, haverá mudança na ordem dos desfiles. A Portela, que desfilava na segunda-feira - assim como as outras duas escolas atingidas – passará para o domingo, no lugar da Mocidade, que teve seu desfile transferido para segunda.
Como consequência das mudanças deste ano, em 2012 duas escolas serão rebaixadas para o grupo de acesso, em vez de uma, para voltar a equilibrar o número de agremiações no grupo especial.
No início da noite, houve uma reunião entre o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, e os presidentes de todas as escolas do grupo especial para definir a mudança no regulamento para o desfile do carnaval deste ano.
"Isso é um prejuízo incalculável e nós vamos tentar de alguma maneira fazer um mutirão, reorganizar e ver a possibilidade de se ajustar a ordem de desfile e a estrutura do carnaval de 2011", disse o presidente da Liesa.
O prefeito Eduardo Paes – que havia dado a sugestão de não rebaixar nenhuma escola do Grupo Especial para o Grupo de Acesso logo após o incêndio na manhã desta segunda-feira – afirmou que está levantando recursos para ajudar as escolas afetadas, mas não falou em valores. Segundo ele, nesta terça-feira (8), haverá reuniões na Secretaria de Turismo para buscar recursos na iniciativa privada.
saiba mais
Leitores enviam fotos do incêndio na Cidade do Samba
Incêndio destruiu 8.400 fantasias, dizem escolas do Rio
União da Ilha teve 98% de fantasias destruídas, diz diretor da escola
Portela deve refazer trabalho para contar história de navegadores
Grande Rio terá que recuperar desfile sobre Florianópolis
União da Ilha precisa reconstruir enredo sobre Darwin e origem da vida
Misto de tristeza e esperança
Em Oswaldo Cruz e Madureira, no subúrbio do Rio, Ilha do Governador e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense - reduto de Portela, União da Ilha e Grande Rio, respectivamente -, o clima de euforia com a proximidade do carnaval deu lugar a tristeza nesta manhã.
"A gente brincou ontem aqui na rua. A Portela veio muito bem, botou o bloco na rua, aqui ficou superlotado. E, infelizmente, me acontece um negócio desses", disse Mário Galvão, compositor da escola de Madureira, lembrando o ensaio de rua na noite de domingo (6).
Praticamente todas as fantasias da União da Ilha foram queimadas. Só sobraram três que estavam sendo feitas em outro lugar. Entre elas, a fantasia da rainha de bateria Bruna Bruno, que tentou não perder o otimismo. “O Carnaval da Ilha era um carnaval pra vir pro Desfile das Campeãs. E vamos continuar brigando, porque isso vai dar mais garra pra gente”, disse Bruna.
Mapa Cidade do Samba (Foto: Arte G1)
O presidente da União da Ilha, Ney Filardi, passou mal e foi medicado. Segundo ele, sete dos oito carros alegóricos foram salvos. Ney disse que mesmo com todo prejuízo, a escola não vai deixar de entrar na avenida. “A União da Ilha vai para a Avenida, mesmo que seja de bermuda, descalço e sem camisa. Vamos desfilar e vamos manter o brilho e a alegria dessa escola tão querida em território nacional”, garantiu Filardi.
Mas o barracão que ficou mais destruído foi o da Grande Rio. No sábado, a comunidade estava em festa e realizou um grande ensaio na principal avenida de Duque de Caxias. “Acabei de receber a informação de que meu barracão acabou todo, tentar juntar o que sobrou, se é que sobrou alguma coisa”, disse Hélio de Oliveira, presidente da Grande Rio, bastante desolado.
Mas, apesar da tristeza, o desejo é grande de ver as escolas dando a volta por cima neste carnaval. Para as comunidades o importante é se unir nessa hora difícil. “Cantando o samba enredo, que entre a velha guarda na frente da escola e se faça representada, porque é a história. Não podemos deixar um incêndio rasgar a história do carnaval carioca”, afirmou o comerciante portelense Estevão Nazareno, resumindo o espírito de luta e esperança para reerguer as escolas atingidas pelo incêndio.
Demolição parcial de barracões atingidos
Após uma vistoria prévia nos galpões atingidos pelo incêndio na Cidade do Samba, o engenheiro representante da Defesa Civil municipal, Luiz André Moreira Alves, informou que toda a estrutura interna do segundo pavimento desses imóveis será demolida.
"Essa foi uma vistoria preliminar, onde nós verificamos que no trecho do segundo pavimento dos galpões que eram utilizados pela Grande Rio, Portela, União da Ilha e parte da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) houve um comprometimento de estrutura na parte superior e a gente vai entrar com uma obra emergencial para fazer a demolição desse pavimento, para que a gente possa manter íntegro o pavimento térreo e causar menos transtornos no local", explicou Luiz André Moreira Alves.
Ainda segundo o engenheiro, a ideia da Defesa Civil é começar a demolição o mais breve possível. "Nós estamos aguardando apenas o parecer do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Eles liberando o local entramos para fazer a demolição", completou ele.
Cooperação
As escolas de samba do Rio de Janeiro reafirmaram que estão fazendo um mutirão para ajudar as agremiações afetadas pelo incêndio na Cidade do Samba.
“Temos que tentar ajudar quem já está muito prejudicado”, disse o carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros. “Vamos ajudar com o que puder, fantasias, carros alegóricos, até presidente”, reiterou a presidente do Salgueiro, Regina Celi.
‘Qualquer ajuda é bem-vinda’, diz diretor da Ilha
Para o diretor de carnaval da União da Ilha, Márcio André Souza, qualquer ajuda é bem-vinda. “Os presidentes se propuseram a ajudar com alegorias, carros e materiais e o prefeito se dispôs a contribuir com uma ajuda financeira às escolas atingidas”, disse ele.
O presidente da Portela, Nilo Figueiredo, acredita na força da solidariedade. “Vamos usar a comunidade para ajudar”, afirmou ele. “Confio nas escolas irmãs”, resumiu Helinho de Oliveira, da Grande Rio.
Como foi
As chamas na Cidade do Samba, onde funcionam barracões de 14 escolas de samba, foram controladas pouco antes das 11h. Ao todo, 39 carros dos bombeiros de sete quartéis e 80 homens foram enviados ao local. Além de Grande Rio, Portela e União da Ilha, a Liesa também teve seu barracão destruído pelo fogo.
Também foi decidido que Portela trocará o dia de desfile e vai para o domingo.
Chamas destruíram barracões de Grande Rio, União da Ilha e Portela.
Do G1 RJ, com informações do Jornal Nacional
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O grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro não terá rebaixamento em 2011. A decisão foi tomada pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) na noite desta segunda-feira (7), após o incêndio na Cidade do Samba, na Zona Portuária, que destruiu os barracões da Grande Rio, União da Ilha e Portela. Também ficou decidido que as três escolas não serão julgadas.
Veja o site do Jornal Nacional
Além disso, haverá mudança na ordem dos desfiles. A Portela, que desfilava na segunda-feira - assim como as outras duas escolas atingidas – passará para o domingo, no lugar da Mocidade, que teve seu desfile transferido para segunda.
Como consequência das mudanças deste ano, em 2012 duas escolas serão rebaixadas para o grupo de acesso, em vez de uma, para voltar a equilibrar o número de agremiações no grupo especial.
No início da noite, houve uma reunião entre o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, e os presidentes de todas as escolas do grupo especial para definir a mudança no regulamento para o desfile do carnaval deste ano.
"Isso é um prejuízo incalculável e nós vamos tentar de alguma maneira fazer um mutirão, reorganizar e ver a possibilidade de se ajustar a ordem de desfile e a estrutura do carnaval de 2011", disse o presidente da Liesa.
O prefeito Eduardo Paes – que havia dado a sugestão de não rebaixar nenhuma escola do Grupo Especial para o Grupo de Acesso logo após o incêndio na manhã desta segunda-feira – afirmou que está levantando recursos para ajudar as escolas afetadas, mas não falou em valores. Segundo ele, nesta terça-feira (8), haverá reuniões na Secretaria de Turismo para buscar recursos na iniciativa privada.
saiba mais
Leitores enviam fotos do incêndio na Cidade do Samba
Incêndio destruiu 8.400 fantasias, dizem escolas do Rio
União da Ilha teve 98% de fantasias destruídas, diz diretor da escola
Portela deve refazer trabalho para contar história de navegadores
Grande Rio terá que recuperar desfile sobre Florianópolis
União da Ilha precisa reconstruir enredo sobre Darwin e origem da vida
Misto de tristeza e esperança
Em Oswaldo Cruz e Madureira, no subúrbio do Rio, Ilha do Governador e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense - reduto de Portela, União da Ilha e Grande Rio, respectivamente -, o clima de euforia com a proximidade do carnaval deu lugar a tristeza nesta manhã.
"A gente brincou ontem aqui na rua. A Portela veio muito bem, botou o bloco na rua, aqui ficou superlotado. E, infelizmente, me acontece um negócio desses", disse Mário Galvão, compositor da escola de Madureira, lembrando o ensaio de rua na noite de domingo (6).
Praticamente todas as fantasias da União da Ilha foram queimadas. Só sobraram três que estavam sendo feitas em outro lugar. Entre elas, a fantasia da rainha de bateria Bruna Bruno, que tentou não perder o otimismo. “O Carnaval da Ilha era um carnaval pra vir pro Desfile das Campeãs. E vamos continuar brigando, porque isso vai dar mais garra pra gente”, disse Bruna.
Mapa Cidade do Samba (Foto: Arte G1)
O presidente da União da Ilha, Ney Filardi, passou mal e foi medicado. Segundo ele, sete dos oito carros alegóricos foram salvos. Ney disse que mesmo com todo prejuízo, a escola não vai deixar de entrar na avenida. “A União da Ilha vai para a Avenida, mesmo que seja de bermuda, descalço e sem camisa. Vamos desfilar e vamos manter o brilho e a alegria dessa escola tão querida em território nacional”, garantiu Filardi.
Mas o barracão que ficou mais destruído foi o da Grande Rio. No sábado, a comunidade estava em festa e realizou um grande ensaio na principal avenida de Duque de Caxias. “Acabei de receber a informação de que meu barracão acabou todo, tentar juntar o que sobrou, se é que sobrou alguma coisa”, disse Hélio de Oliveira, presidente da Grande Rio, bastante desolado.
Mas, apesar da tristeza, o desejo é grande de ver as escolas dando a volta por cima neste carnaval. Para as comunidades o importante é se unir nessa hora difícil. “Cantando o samba enredo, que entre a velha guarda na frente da escola e se faça representada, porque é a história. Não podemos deixar um incêndio rasgar a história do carnaval carioca”, afirmou o comerciante portelense Estevão Nazareno, resumindo o espírito de luta e esperança para reerguer as escolas atingidas pelo incêndio.
Demolição parcial de barracões atingidos
Após uma vistoria prévia nos galpões atingidos pelo incêndio na Cidade do Samba, o engenheiro representante da Defesa Civil municipal, Luiz André Moreira Alves, informou que toda a estrutura interna do segundo pavimento desses imóveis será demolida.
"Essa foi uma vistoria preliminar, onde nós verificamos que no trecho do segundo pavimento dos galpões que eram utilizados pela Grande Rio, Portela, União da Ilha e parte da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) houve um comprometimento de estrutura na parte superior e a gente vai entrar com uma obra emergencial para fazer a demolição desse pavimento, para que a gente possa manter íntegro o pavimento térreo e causar menos transtornos no local", explicou Luiz André Moreira Alves.
Ainda segundo o engenheiro, a ideia da Defesa Civil é começar a demolição o mais breve possível. "Nós estamos aguardando apenas o parecer do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Eles liberando o local entramos para fazer a demolição", completou ele.
Cooperação
As escolas de samba do Rio de Janeiro reafirmaram que estão fazendo um mutirão para ajudar as agremiações afetadas pelo incêndio na Cidade do Samba.
“Temos que tentar ajudar quem já está muito prejudicado”, disse o carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros. “Vamos ajudar com o que puder, fantasias, carros alegóricos, até presidente”, reiterou a presidente do Salgueiro, Regina Celi.
‘Qualquer ajuda é bem-vinda’, diz diretor da Ilha
Para o diretor de carnaval da União da Ilha, Márcio André Souza, qualquer ajuda é bem-vinda. “Os presidentes se propuseram a ajudar com alegorias, carros e materiais e o prefeito se dispôs a contribuir com uma ajuda financeira às escolas atingidas”, disse ele.
O presidente da Portela, Nilo Figueiredo, acredita na força da solidariedade. “Vamos usar a comunidade para ajudar”, afirmou ele. “Confio nas escolas irmãs”, resumiu Helinho de Oliveira, da Grande Rio.
Como foi
As chamas na Cidade do Samba, onde funcionam barracões de 14 escolas de samba, foram controladas pouco antes das 11h. Ao todo, 39 carros dos bombeiros de sete quartéis e 80 homens foram enviados ao local. Além de Grande Rio, Portela e União da Ilha, a Liesa também teve seu barracão destruído pelo fogo.
Incêndio na Cidade do Samba muda regras de carnaval no Rio
Incêndio na Cidade do Samba muda regras de carnaval no Rio
07 de fevereiro de 2011 • 21h52
comentários
O incêndio de grandes proporções que destruiu parte da Cidade do Samba na segunda-feira e queimou fantasias e alegorias de três escolas provocou mudanças nas regras do carnaval do Rio em 2011, que não terá rebaixamento neste ano.
Portela, Grande Rio e União da Ilha farão um desfile simbólico que não será analisado e julgado pelos jurados da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
A decisão foi tomada numa reunião na noite de segunda-feira entre os representantes das escolas, o presidente da Liesa e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
"Vamos ajudar as escolas no que for possível, com recursos se necessário, e vamos também chamar a iniciativa privada para ajudar", disse Paes.
Para que não haja prejuízo ao espetáculo, a Portela, que desfilaria na segunda-feira, assim como as outras duas atingidas, trocou seu dia de desfile com a Mocidade Independente e irá se apresentar no domingo.
A campeã do Grupo de Acesso deste ano vai subir para o Grupo Especial normalmente, mas em 2012 duas escolas do grupo de elite, em vez de uma, serão rebaixadas.
"Foi um prejuízo incalculável e irreparável e precisávamos fazer alguma coisa", disse o presidente da Liesa, Jorge Castanheira.
Faltando cerca de um mês para o Carnaval do Rio de Janeiro, o incêndio do início da manhã se espalhou rapidamente em razão do material inflamável, como plástico, madeira e isopor, estocado nos barracões das agremiações.
Pelo menos uma pessoa ficou ferida e duas intoxicadas, segundo o Corpo de Bombeiros. Dois seguranças da escola de samba Portela foram detidos pela polícia numa confusão que envolveu o presidente da agremiação, Nilo Figueiredo.
Bombeiros de diversos batalhões foram mobilizados para controlar as chamas, só debeladas três horas depois. Uma densa coluna de fumaça se formou na região central do Rio e podia ser vista de longe.
As causas do incêndio ainda estão sendo apuradas pela polícia civil, que abriu inquérito. De acordo com testemunhas, o fogo começou numa área reservada à Liesa, no quarto andar, e se alastrou para os barracões das escolas.
O prejuízo para as escolas é considerado irreparável. "A situação é de catástrofe total. Nosso carnaval virou cinza. Ele estava 90 por cento pronto", afirmou um funcionário da Grande Rio, Avelino Ribeiro.
A área foi isolada pelo Corpo de Bombeiros para evitar que o fogo atingisse prédios e armazéns vizinhos à Cidade do Samba.
Empregados das escolas que estavam no local disseram que o fogo teve início no quarto andar, no pavilhão onde funciona um escritório da Liesa. "Começou lá e depois se espalhou para os barracões", afirmou uma funcionária da União da Ilha, Maria de Lurdes da Silva.
O telhado e paredes do prédio foram destruídos pelas chamas. "Algumas partes da estrutura da edificação ruíram e desabaram", declarou um relações públicas do Corpo de Bombeiros.
PREJUÍZOS
O presidente da União da Ilha, Ney Filardi, passou mal ao ser informado do incêndio e precisou ser levado para o hospital. "Sou hipertenso e fui para o hospital... temos 4.500 integrantes que vão desfilar nem que seja de bermuda e camisa", disse ele à Reuters, estimando os prejuízos da escola em mais de 5 milhões de reais.
"Perdemos rigorosamente tudo. Quando cheguei aqui, pensava que seria possível recuperar alguma coisa, mas perdemos alegorias e mais de 3 mil fantasias. Vamos desfilar nem que seja só com bandeira e samba-enredo", disse o presidente da Grande Rio, Helinho de Oliveira. Ele avaliou em mais de 10 milhões de reais os prejuízos para a Grande Rio. A Portela informou que ainda não calculou seus prejuízos.
Para o diretor de Carnaval da Liga, Iran Araújo, vai ser difícil recuperar o prejuízo. "Vai ter que haver um esforço muito grande. O tempo até o desfile é curto", disse ele.
A Cidade do Samba foi construída na administração do prefeito César Maia. Um dos objetivos era evitar os constantes incêndios que afetavam os barracões avulsos das escolas, que prejudicavam as agremiações antes do Carnaval
Recentemente, o prefeito do Rio anunciou que iria construir uma nova Cidade do Samba para escolas do grupo de acesso.
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07 de fevereiro de 2011 • 21h52
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O incêndio de grandes proporções que destruiu parte da Cidade do Samba na segunda-feira e queimou fantasias e alegorias de três escolas provocou mudanças nas regras do carnaval do Rio em 2011, que não terá rebaixamento neste ano.
Portela, Grande Rio e União da Ilha farão um desfile simbólico que não será analisado e julgado pelos jurados da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
A decisão foi tomada numa reunião na noite de segunda-feira entre os representantes das escolas, o presidente da Liesa e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
"Vamos ajudar as escolas no que for possível, com recursos se necessário, e vamos também chamar a iniciativa privada para ajudar", disse Paes.
Para que não haja prejuízo ao espetáculo, a Portela, que desfilaria na segunda-feira, assim como as outras duas atingidas, trocou seu dia de desfile com a Mocidade Independente e irá se apresentar no domingo.
A campeã do Grupo de Acesso deste ano vai subir para o Grupo Especial normalmente, mas em 2012 duas escolas do grupo de elite, em vez de uma, serão rebaixadas.
"Foi um prejuízo incalculável e irreparável e precisávamos fazer alguma coisa", disse o presidente da Liesa, Jorge Castanheira.
Faltando cerca de um mês para o Carnaval do Rio de Janeiro, o incêndio do início da manhã se espalhou rapidamente em razão do material inflamável, como plástico, madeira e isopor, estocado nos barracões das agremiações.
Pelo menos uma pessoa ficou ferida e duas intoxicadas, segundo o Corpo de Bombeiros. Dois seguranças da escola de samba Portela foram detidos pela polícia numa confusão que envolveu o presidente da agremiação, Nilo Figueiredo.
Bombeiros de diversos batalhões foram mobilizados para controlar as chamas, só debeladas três horas depois. Uma densa coluna de fumaça se formou na região central do Rio e podia ser vista de longe.
As causas do incêndio ainda estão sendo apuradas pela polícia civil, que abriu inquérito. De acordo com testemunhas, o fogo começou numa área reservada à Liesa, no quarto andar, e se alastrou para os barracões das escolas.
O prejuízo para as escolas é considerado irreparável. "A situação é de catástrofe total. Nosso carnaval virou cinza. Ele estava 90 por cento pronto", afirmou um funcionário da Grande Rio, Avelino Ribeiro.
A área foi isolada pelo Corpo de Bombeiros para evitar que o fogo atingisse prédios e armazéns vizinhos à Cidade do Samba.
Empregados das escolas que estavam no local disseram que o fogo teve início no quarto andar, no pavilhão onde funciona um escritório da Liesa. "Começou lá e depois se espalhou para os barracões", afirmou uma funcionária da União da Ilha, Maria de Lurdes da Silva.
O telhado e paredes do prédio foram destruídos pelas chamas. "Algumas partes da estrutura da edificação ruíram e desabaram", declarou um relações públicas do Corpo de Bombeiros.
PREJUÍZOS
O presidente da União da Ilha, Ney Filardi, passou mal ao ser informado do incêndio e precisou ser levado para o hospital. "Sou hipertenso e fui para o hospital... temos 4.500 integrantes que vão desfilar nem que seja de bermuda e camisa", disse ele à Reuters, estimando os prejuízos da escola em mais de 5 milhões de reais.
"Perdemos rigorosamente tudo. Quando cheguei aqui, pensava que seria possível recuperar alguma coisa, mas perdemos alegorias e mais de 3 mil fantasias. Vamos desfilar nem que seja só com bandeira e samba-enredo", disse o presidente da Grande Rio, Helinho de Oliveira. Ele avaliou em mais de 10 milhões de reais os prejuízos para a Grande Rio. A Portela informou que ainda não calculou seus prejuízos.
Para o diretor de Carnaval da Liga, Iran Araújo, vai ser difícil recuperar o prejuízo. "Vai ter que haver um esforço muito grande. O tempo até o desfile é curto", disse ele.
A Cidade do Samba foi construída na administração do prefeito César Maia. Um dos objetivos era evitar os constantes incêndios que afetavam os barracões avulsos das escolas, que prejudicavam as agremiações antes do Carnaval
Recentemente, o prefeito do Rio anunciou que iria construir uma nova Cidade do Samba para escolas do grupo de acesso.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
FICHA TÉCNICA,ENREDO E LETRA DO SAMBA DA G.R.E.S PORTELA

FICHA TÉCNICA
Fundação 11/04/1923
Cores Azul e Branco
Presidente
Nilo Figueiredo
Quadra
Rua Clara Nunes, 81 - Madureira - Rio de Janeiro - RJ CEP 21351-110
Telefone Quadra
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PORTELA 2011
Enredo
"Rio, Azul da Cor do Mar"
Carnavalescos
Roberto Szaniecki e Amauri Santos
Diretor de Harmonia Alex Fab e Marcelo Jacob
Intérprete Gilsinho
Mestre de Bateria Nilo Sérgio
Rainha de Bateria
Mestre-Sala Rogério Dornelles
Porta-Bandeira Lúcia Nobre
Comissão de Frente
Márcio Moura
ENREDO
RIO, AZUL DA COR DO MAR
Carta de Navegação
A bravura e o destemor dos navegantes foram determinantes para que o homem criasse rotas marítimas e, através delas, promovesse o comércio e o intercâmbio entre os povos mais distantes e de diferentes culturas. Este aprendizado foi essencial para a evolução da humanidade; e a consolidação do que convencionamos chamar de “globalização”.
Desde os primórdios, o homem entendeu a importância do mar para alcançar os seus objetivos de interação, comunicação, comércio, conquistas e, em sentido mais amplo, de sobrevivência.
Nas civilizações mais remotas – e entre elas destacamos os egípcios, chineses e gregos – o homem se valeu de embarcações rudimentares para enfrentar o maior de seus desafios: o mar. Para se orientar na imensidão e no desconhecido, aprendeu a decifrar a configuração das constelações.
Estrelas foram companheiras em missões de comércio e conquista, transformando aventuras em expedições com metas pré-estabelecidas. Mesmo assim, esses homens foram obrigados a enfrentar o medo espalhado pelos sete mares.
Para encontrar um caminho que os levassem às terras das especiarias – condimentos usados para tempero e conservação dos alimentos – tiveram que cruzar regiões supostamente habitadas por monstros e terríveis criaturas das profundezas, acostumados a devorar quem ousasse cruzar os seus domínios.
Tratava-se de uma estratégia usada pelos mercadores árabes para atemorizar os concorrentes europeus, protegendo - com a criação dessas lendas e mitos - o monopólio de mercadorias que tinham, na época, a mesma importância que o petróleo possui atualmente para a economia mundial. Nesse Mar Tenebroso, a ambição dos colonizadores inaugurou também a rota do tráfico negreiro.
Essas linhas de comércio e conquista ultrapassaram os limites do Mediterrâneo, ganharam o Atlântico e o Pacífico, traçando novas etapas na História da Humanidade. Consolidaram “estradas” que até hoje são essenciais para o transporte dos mais diversos tipos de mercadorias e equipamentos, bem como de viajantes que se locomovem por todos os quadrantes. São vitais para a nossa sobrevivência.
Dentro desse contexto, a Portela dedicará um momento especial de sua apresentação para homenagear os 100 anos do Porto do Rio – historicamente, a porta de entrada de nosso país, por onde também exportamos produtos gerados pela mão-de-obra e tecnologia brasileiras. É lá que a Cidade Maravilhosa ganha um novo impulso, sendo referência do comércio exterior.
Manancial inesgotável de inspiração, consolidado em todos os gêneros de arte, o mar conduzirá a Portela a uma nova missão: mais do que um Rio, ela se propõe a ser um Mar que passará em nossas vidas. E, certamente, nossos corações se deixarão levar.
Venha, navegue conosco!
Autores: Marta Queiroz, Cláudio Vieira e Roberto Szaniecki
Desenvolvimento: Roberto Szaniecki
RIO, AZUL DA COR DO MAR
Sinopse
Porto de Sapucahy , verão de 2011
Soltem as amarras e deixem as velas enfunarem ao sabor do vento. Vejam o cais se distanciar e, com ele, as lembranças que ficaram. Na bagagem, trazemos sonhos e esperança. Nossos olhos já não conseguem divisar o que é mar, o que é céu, e tentam traçar uma linha de equilíbrio no horizonte. Singramos no azul!
Subamos à gávea para conversar com as estrelas, companheiras de saudades e solidão. Ora, direis, ouvir estrelas… Por que não?
Estrelas são quase tudo o que temos. Além delas, trazemos instrumentos que nos ajudarão a decifrá-las. Elas se espalham pelo céu formando desenhos e um deles nos chama a atenção. É uma águia! Sim, uma águia em forma de constelação. E será esta que escolheremos para nos guiar pela imensidão.
Dizem que o destino está traçado nas estrelas. Ensinam que precisaremos de muita coragem para enfrentar os perigos e, sobretudo, determinação. E, com fé em Deus, navegaremos pelos sete mares que abrirão os portais do coração.
No Reino de Poseidon, tempestade e bonança
Estamos a muitas braças do continente, nessa noite tenebrosa. A fúria do vento força a resistência dos cabos que sustentam o mastro principal. O tecido das velas parece que não conseguirá resistir. Ondas se agigantam, cobrindo o casco. Raios, relâmpagos e trovões abrem fendas no firmamento.
Começamos a enfrentar o desafio do desconhecido. E, sem que tenhamos tempo de raciocinar, nos deparamos com o medo escondido em nossos porões.
Das profundezas surgem criaturas fantásticas! São polvos, serpentes e dragões abrindo uma estrada na espuma, levando-nos por um turbilhão sem fim.
Ao abrirmos os olhos, porém, tudo se transforma. Cavalos marinhos conduzidos por guerreiros transportam o cortejo de reis e rainhas que governavam a crença de civilizações que desapareceram no mar abissal.
O que tenta nos dizer a tempestade, afinal?
Respeitar o que é do mar, mas nunca temer. Acima de toda maldade, o bem sempre há de vencer.
Mare Nostrum, sob a luz de Alexandria
Estas galés que cruzam o nosso caminho transportam toras de cedro, tapetes, tecidos, cerâmicas, corantes, jóias, peças de metal e outros produtos que as mãos do homem foram capazes de moldar.
Do Oriente partem gigantescas embarcações. São os chineses oferecendo novas trocas, ampliando suas rotas, construindo relações.
São mercadorias que remontam aos tempos dos primeiros navegantes, que se lançaram ao mar. Para trocá-las em outros portos, fenícios e egípcios não imaginavam que também deixariam vestígios de sua cultura milenar.
Gregos e romanos inauguraram um tempo de conquistas, ampliando as frentes de comércio e os limites de seus territórios.
Da distante Alexandria, brilha uma chama, transformando a noite em dia.
A caminho de Calicut
Debruçados sobre mapas, lendas e antigos relatos tentamos encontrar o caminho que nos levará às misteriosas terras das especiarias. É para lá que apontam nossos olhos, mergulhados em fascínio.
Para proteger este comércio, mercadores árabes semearam lendas de monstros e gigantes que devoravam quem ousasse cruzar os seus domínios.
Tudo mentira. O pesadelo agora é um sonho. As águas ganham novos matizes e como atrizes representam cada uma de nossas expectativas: cravo, canela, açafrão, flor de lótus e também porcelanas, tapetes, sedas e joias que não se cansam de brilhar.
As mais variadas fragrâncias se misturam no ar. Conseguimos, estamos em Calicut! Mas não devemos nos demorar.
Atlântico, em direção ao Pacífico
O Velho Mundo despertou para um novo século sabendo que não estava mais só. Por trás do horizonte, entre o nascente e o poente, existiam outras terras e riquezas a se alcançar.
Eram terras primitivas, que ficavam muito além da calmaria e daqui podemos vê-las. Ao dia, parece uma deslumbrante miragem, ocupada por nativos, adornadas pelas praias e a plumagem dos pássaros mais bonitos que já se viu. Eis a visão do paraiso tropical.
São tantas terras que nossos olhos se perdem ao tentar abraçá-las. Elas se escondem sob florestas, percorrem montanhas e flutuam nas nuvens, onde guardam segredos e mistérios de antigos impérios, que se curvavam diante do Sol.
Quantas riquezas brotam de suas nascentes! Ouro, prata, pedras preciosas e uma madeira estranha, que tinge de sangue o tecido mais nobre. Dizem que o futuro a perpetuará na força de um gigante chamado Brasil.
Mare Liberum, numa ilha do Caribe
Quantas estradas se abrem neste azul sem fim! O Atlântico é cortado em todas as direções. Embarcações de diversas bandeiras transportam cana-de-açúcar, café, tabaco e algodão.
Já não existem fronteiras para o comércio, nem medidas para a ambição. Outras galés rumam para a África, inaugurando a rota do tráfico negreiro. Trazem milhões de escravos, despejando-os em solo americano. Aceleram a produção, deixando uma dor que não se apaga e uma chaga que ainda marca o sentimento humano.
Negros vão, corsários vem. O mar já não pertence nem à Armada do Rei. Agora, é terra de ninguém.
Brasil, entre riquezas e belezas
Abençoada natureza, que sempre encantará os olhos de quem veleja no aconchego dessa Baía. A mesma brisa que traz lembranças do passado, sopra na direção do futuro, ensinando que o mar foi, é e será a principal via de comunicação entre os povos mais distantes.
Salve, Porto centenário, e esse intenso vai-e-vem do comércio exterior. Foi aqui que começaram e depois se intensificaram nossas relações com o estrangeiro.
Esse marulhar fustiga a todo instante, recordando investidas e o leva-e-traz . As ondas não se cansam de contar todos os tesouros que ficaram para trás; mas ainda guardam nas profundezas a mais preciosa das riquezas, que, por muito tempo, nos impulsionará.
Rio de Janeiro, ponto de encontro de brasileiros de Norte a Sul, de Leste a Oeste; que recebe de braços abertos o jangadeiro e outros irmãos do Nordeste. Rio das praias, das raias, cruzeiros, pescadores da noite e da vida marinha. Terra de São Sebastião, paraíso dos golfinhos.
Porto dos Amores, Fonte da Inspiração
Aqui da proa, quando olhamos para trás, não conseguimos dar conta do tempo que passou. Orientados pelas estrelas, desafiamos tempestades, enfrentamos inimigos e aprendemos que navegar é preciso – mas na mesma direção!
Foi assim que descobrimos novos continentes, inauguramos a rota do Oriente e encontramos em pleno mar a Fonte da Inspiração.
Traduzimos os sentimentos em música, transportamos a emoção para a ópera e o teatro, recriamos aventuras em romances, no cinema eternizamos sagas e amores em paginas de clássicos memoráveis. Quando pintamos uma marina, tentando retratar a fascinação que existe em tanto mar, deixamos o azul brincar na tela.
Descobrimos que o mar não é apenas um tema: ele tem início, meio e fim, é um enredo. E toda essa experiência começou quando vencemos o medo, desfraldando as velas no Carnaval.
Pois, o amor é azul. O céu é azul. O mar é azul.
E entre eles, navega a nossa querida Portela!
SAMBA ENREDO
“Rio, azul da cor do mar”
Autores: Wanderley Monteiro - Gilsinho - Luiz Carlos Máximo - Junior Escafura - Naldo
Intérprete: Gilsinho
Brilhou no céu
A luz da Águia, a estrela-guia
Do coração navegador
Que na travessia enfrentou
Todo o medo que havia
Era a mitologia do mar
A lenda deu lugar para a certeza
Que pra viver é preciso navegar
As galés do Oriente...já vêm!
Da Fenícia e do Egito... também!
Gregos e romanos partem para conquistar
e o Farol de Alexandria fez a noite clarear
Os mistérios vão desvendar
Um novo caminho encontrar
Lá na Índia, especiarias
Leva-e-traz mercadorias
A ambição do europeu se encantou
Com o Novo Mundo de riqueza natural, sem igual
Os navios negreiros
Deixam seus lamentos pelo ar
Nas águas de Yemanjá
Nem pirata aventureiro, nem o rei podem mandar
Oi leva mar, oi leva
Leva a jangada numa nova direção
O Porto centenário abriu seus braços
Na terra de São Sebastião
Portela vai buscar no horizonte
A eterna fonte de inspiração
Um oceano de amor que virou arte
E deságua na imaginação
Lindo como o mar azul
Meu grande amor, minha Portela
A força do seu pavilhão vai me levar
A navegar
Clique Aqui e ouça um trecho do samba
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda
GRES PORTELA
Presidente: Nilo Figueiredo
Coordenadora de Projetos Sociais: Val Carvalho
Carnavalesco: Roberto Szaniecki
Harmonia: Alex Fab e Marcelo Jacob
Assessoria de Imprensa: Enildo do Rosário (Viola)
(Texto divulgado à Imprensa)
O CADERNO DE JULGAMENTO DAS ESCOLAS DE SAMBA RJ (click com o botão direito e abra o link em nova guia)
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
ESSE EU CONHEÇO E BEM, MEU AMIGO BRUNO DO BATISTÃO


Governador empossa Nilson Bruno como novo defensor público-geral do Rio de Janeiro
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RIO - O candidato mais votado para ocupar o cargo de defensor público-geral do Estado do Rio de Janeiro, Nilson Bruno Filho, tomou posse terça-feira (4), na sede da Defensoria Pública, no centro da cidade. O novo representante, nomeado pelo governador Sérgio Cabral após ser eleito pela categoria em lista tríplice, substituirá José Raimundo Batista Moreira. A valorização dos profissionais e a modernização do órgão estão entre as prioridades do plano de gestão de Nilson Bruno, que estará à frente da instituição até 2012.
Na cerimônia de transmissão do cargo a Nilson Bruno Filho, o governador lembrou o trabalho que realizou em prol da Defensoria Pública como deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e senador. Cabral colaborou para a aprovação da autonomia financeira da instituição e do direito à ação civil pública pelo defensor. Sérgio Cabral destacou ainda a importância da Defensoria Pública, que presta assistência jurídica integral e gratuita a cidadãos que não têm condições financeiras de pagar as despesas destes serviços.
- É um prazer ver uma pessoa preparada sendo eleita para esse cargo. A Defensoria Pública é um órgão pelo qual eu sempre fui muito apaixonado, porque atende, no Rio de Janeiro, dois milhões de pessoas por ano. E não são apenas os mais desvalidos, a classe média também procura os serviços do órgão. É muito bom encher o peito e dizer que temos a melhor defensoria. A Defensoria Pública é uma instituição importante no controle da cidadania, dos direitos humanos. O órgão está sempre vigilante, defendendo o cidadão - ressaltou o governador.
O novo defensor público geral comandou, até o ano passado, a Diretoria de Assuntos Legislativos da Associação dos Defensores Públicos do Rio de Janeiro (ADEPRJ) e integrou o Conselho Superior da Defensoria Pública, como conselheiro classista. Nilson Bruno ingressou no órgão em 1998 e foi coordenador regional Sul Fluminense. Durante a eleição, o plano de governo do defensor foi sustentado na adoção de uma gestão estratégica, tendo como exemplo o modelo já desenvolvido pelo Governo do Estado.
Implantar a política de bons resultados para estender aos defensores públicos as mesmas vantagens das carreiras congêneres, realizar uma gestão profissional a partir de planejamento, participação e informação e priorizar o uso da tecnologia da informação são algumas das metas do defensor. A capacitação de recursos humanos, a expansão da instituição, através da criação de novas frentes de administração, e a melhora no atendimento dos núcleos especializados também estão incluídas no programa de Nilson Bruno.
- Vou honrar todos os compromissos que assumi quando era candidato, com a ajuda da equipe equilibrada que a Defensoria Pública possui. Quero priorizar o diálogo e a transparência. Vamos aprimorar a nossa defensoria através da modernização e ajudar a melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas que dependem do órgão para alcançar a cidadania e a dignidade. Quero ser o defensor dos defensores - destacou Nilson Bruno Filho.
O senador Regis Fichtner, a procuradora-geral do Estado do Rio de Janeiro, Lucia Léa, o secretário de Administração Penitenciária, César Rubens Monteiro, o presidente do Proderj, Paulo Coelho, e outras autoridades participaram da cerimônia de transmissão do cargo de defensor público-geral do Estado.
Fonte: Jornal do Brasil
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