terça-feira, 23 de novembro de 2010

CÂNTIGOS AOS ORISÀS

Esù
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.380.352 bytes) Duração 3:16
Ebejis
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.335.296 bytes) Duração 3:10
Ogùn
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (902.174 bytes) Duração 2:08
Ossòsí
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.617.920 bytes) Duração 3:50
Ossanhê
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.193.824 bytes) Duração 2:50
Obaluwaiê
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.667.072 bytes) Duração 3:57
Osumarê
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (987.136 bytes) Duração 2:20
Nanã Buruque
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (2.105.344 bytes) Duração 5:00
Sangô
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.896.448 bytes) Duração 4:30
Oyà
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.077.248 bytes) Duração 2:33
Osalà
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (827.392 bytes) Duração 1:57
Osùn
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.662.976 bytes) Duração 3:57



Yemonjà
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.269.760 bytes) Duração 3:01
Logunedè
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (3.084.288 bytes) Duração 7:20
Obà
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (586.670 bytes) Duração 1:23
Orumilà
http://www.fecab.org.br/pontos/imagens/icone-mp3.jpg Tamanho do arquivo: (1.667.072 bytes) Duração 2:29
Nota: Aos nossos irmãos de fé. Muitos autores e cantores de "Cântigos de Candomblé" e outros trabalhos, encontram dificuldade na gravação e divulgação de suas obras.
Entre em contato conosco para que podemos encaminha-lo para divulgar seu trabalho.

SAÍDA DE YÀWÓ

Um breve relato do ritual de iniciação no Candomblé, a feitura no Santo, representa um renascimento, tudo será novo na vida do abiã, ele recebera inclusive um nome pelo qual ele passará a ser chamado dentro da comunidade do Candomblé.
A feitura tem por início o recolhimento. Onde o abiã ficara 21 dias de reclusão, neste prazo são realizados banhos, boris, oferendas, ebós, todo o aprendizado começa, as rezas, as danças, as cantigas, etc.
É feita a raspagem dos cabelos (orô) e o abiã recebe o oxu (representa o canal de comunicação entre o iniciado e o seu Orisà) o kelê, os deleguns, o mokan, o xaorô, os ikan, o ikodidé.
O filho e santo terão que passar por um ritual, onde seu corpo será pintado com o efun (giz).
O filho passará por esse ritual durante sete dias seguidos.
O abiã agora terá que assentar seu Orisà e ofertar lhes os sacrifícios de acordo com as características de cada um. Feito isso passa a se chamar de yàwó.
A festa ritualística é o término desse período denominado de saída de yàwó, nesse momento ele será apresentado à comunidade.
Ele será acompanhado por uma autoridade a frente de todos para que sejam rendidas as homenagens.
Sobre uma esteira, ele saudará com adobáe paó, que são palmas dadas a cada reverência feita pelo yáwó e acompanhadas por todos os presentes, como demonstração que a partir daquele momento ele não estará mais sozinho a sua caminhada. Primeiramente saudará o mundo, neste momento a esteira estará direcionada a porta principal da casa. No seu interior, ele saudará a comunidade e por último, frente aos atabaques que representam as autoridades presentes.
O momento mais aguardado do cerimonial é o Orukó. Neste momento o Orisà dirá o nome de iniciação de seu filho perante todos e também é neste momento que se abre sua idade cronológica dentro de sua vida no Santo.
Após a saída e depois dos 21 dias de recolhimento o yàwó permanecerá de resguarde até a queda de kelê fora do barracão por um período de três meses, neste período ele não poderá utilizar talheres para comer, deve continuar a sentar se no chão sobre a esteira durante as refeições, este proibido de utilizar outra cor de roupa que não o branco da cabeça aos pés, não poderá fazer o uso de bebidas alcoólicas, cigarros, etc. E nem tão pouco sair à noite. E até que se complete um ano, seus preceitos continuarão.
Até que o yàwó complete maior idade no Santo, terá que continuar dia a dia o seu aprendizado e reforçar os seus votos por meio dos preceitos.
DIBUBA YLÊ DE OXUM OPARA OLOPANDEDE
Yalorixá Mutalecy – São Paulo/SP.

NAÇÕES DO CANDOMBLÉ

A palavra nação no candomblé é usada para distinguir seus seguimentos, diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, o toque dos atabaques, a liturgia. A nação também indica a procedência dos escravos que lhe deram origem na nova terra e das divindades por eles cultuadas.

As civilizações sudanesas, por exemplo, são representadas pelo grupo iorubá, também conhecido como nagô, por sua vez representado pelas nações:
Ketu, Efan, Ijexá, Nagô Egbá, Batuque do Rio Grande do Sul, Xambá de Pernambuco O grupo dos daomeanos é representado pelas nações jejes:
Fon, Éwe, Mina, Fanti Ashanti e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, Timini.
      
As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.
 As civilizações bantos do grupo angola-congolês são representadas pelas ambundas de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaira e os benguelas com diversas tribos escravizadas.

 As civilizações bantus da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:
Angola ,Congo,Cabinda.
No começo do período escravagista, todos os escravos vindos da África eram chamados de negros de Guiné, pois no século XVI a Guiné se estendia de Senegal a Orange. Esses guinés deveriam ser autênticos bantus.

A escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos. O africano, com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem.

Nações
Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos étconicos, incluindo os yorubas, os ewe, os fons, e os bantus. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes, evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.

A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e sub-nações, de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas:
Nagô ou Iorubá
Ketu ou Queto (Bahia) e quase todos os estados - Língua Yoruba (Iorubá ou Nagô em Português) Efan na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.
Ijexá principalmente na Bahia.
Nagô Egbá ou Sangô do Nordeste no Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo.
Mina-nagô ou Tambor de Mina no Maranhão.
Xambá em Alagoas e Pernambuco (quase extinto).
Bantu, Angola e Congo (Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul), mistura de Bantu, Quicongo e Quimbundo línguas.

Candomblé de Caboclo (entidades nativas índios).
Jeje A palavra Jeje vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Nunca existiu nenhuma nação Jeje na África. O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomey e pelos povos mahins.

Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram povos do lado sul.

O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savé" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savé (tendo neste caso a ver com os povos fons).

O Abomei ficava no oeste, enquanto Ashantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje, (Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo) - língua ewe e língua fon (Jeje).

 Jeje Mina língua mina São Luiz do Maranhão os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda.

 O silêncio, o segredo (calundus)e o isolamento armado em quilombos e mocambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia.

 A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontra portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias e santidades, locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.

Marta do Sangò
Fonte: Wikipédia

CONHECIMENTO, AMOR E RESPEITO AOS ATABAQUES

Em Umbanda e Candomblé, faz-se necessário ter presente o atabaque, um instrumento lendário e de origem africana. Esse instrumento de percussão dá ritmo aos cultos e maior energia aos trabalhos. O toque, mantém a energia espiritual da corrente dificultando, a entrada e permanência de maus espíritos e escoa carga negativa.
Após feita sua consagração, o atabaque torna-se um instrumento Sagrado. Adquirindo uma força poderosíssima. Para conhecimento um pouco mais sobre o atabaque e seus fundamentos e respeito trago um breve relato de suas origens. Algumas de tantas informações interessantes, relacionado aos atabaques dos cultos afros religiosos.
História:
Com a vinda dos escravos africanos, para o Brasil vieram também os atabaques que são usados nos rituais afro-brasileiro, típico da religião do Candomblé e de Umbanda. De uso tradicional na música, ritual e religiosa, empregada para invocar os Orixás. No ritual do Candomblé e Umbanda o som dos atabaques é a primeira relação com o mundo dos Orixás, desde a antiguidade.
O som dos atabaques abre os canais de comunicação que facilitam os trabalhos. Além de conduzir o axé do orixá, organiza as pessoas nesta sinfonia africana sem letras ou partituras. Em um ritual nota-se os movimentos mais primitivos. O Atabaque é o principal instrumento de música Religiosa, cuja responsabilidade é totalmente dos Ogãs. De origem africana, usada principalmente nos rituais, litúrgicos do Candomblé e da Umbanda.
De uso tradicional na música religiosa, são utilizados para evocar os Orixás e as Entidades de Umbanda. Os atabaques são objetos sagrados e anualmente se renova seu Axé.
Os atabaques não saem a rua, estes são preparados exclusivamente para fins dos rituais litúrgicos da casa. As membranas dos atabaques são feitas com os couros dos animais e oferecidos aos Orixás.
Quando são comprados: O couro precisa de cuidados, passar óleo de dendê e deixar no sol para que ele Fique mais esticado e possa produzir um som melhor. Só depois de passar pelos rituais da casa é que poderão ser usados.
O Atabaque maior leva o nome de Rum (grave), o segundo que e menor tem o nome de Rumpi (médio) e o menorzinho (agudo) tem o nome de Le.
Os atabaques quando não estão em uso, ficarem sempre cobertos com seus respectivos panos. Só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) estes são consagrados e responsáveis pelo Rum (o atabaque maior), e pelos Ogãs nos atabaques menores sob o seu comando.
O Alagbê que começa o toque, e é através do seu desempenho no Rum que o Orixá vai executar a sua dança, sempre acompanhando do Rum. O Rum é que comanda o Rumpi e o Le.
O Agogô, tocado no Candomblé, e de tradição Alaketo, chama-se Gan. As Varetas usadas nos atabaques chamam-se Aguidavis. Utiliza-se ainda o Xequerê.
Outros tipos de toques:
NOTA: Existem outros tipos de toques, Angola que se toca com mão e Ketu que se toca com a varinha. Na Angola existem vários tipos de toques, onde cada toque é destinado a um Orixá, por exemplo, Congo de Ouro, Angola que seria destinado a Oxossi, Ygexá que seria destinado a Oxum, etc. O mesmo acontece com Ketu, que se toca com varinha de goiabeira ou bambu, chamada aguidavis.
“Os tambores começaram a aparecer nas escavações arqueológicas do período neolítico. O tambor mais antigo foi encontrado em uma escavação de 6.000 anos a.C. Os primeiros tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco. Estes troncos eram cobertos nas bordas com peles de alguns répteis, e eram percutidos com as mãos, depois foram usadas peles mais resistente e apareceram as primeiras baquetas. O tambor com duas peles veio mais tarde, assim como a variedade de tamanho” Segundo a Wikipédia.
ORIXA NA NAÇAO KETU: Nomes dos Toques. (Breve relato)
ADABI - Bater para nascer é seu significado. Ritmo sincopado dedicado a Exú;
ADARRUM: - Ritmo invocatório de todos os Orixás. Forte e contínuo marcado tambem junto ao agogo, bem rápido, podendo ser acompanhado de canto. Especialmente para Ogum;
AGUERE: - Em Yorubá quer dizer “lentidão”. Ritmo cadencioso para Oxossi quando mais rápido para Iansã. Quando tocado para Iansã é chamado de “quebra-pratos”;
ALUJÁ : - Significa orifício ou perfuração. Toque veloz com características guerreiras. Se dedica a Xangô;
BRAVUM: - Ritmo marcado por golpes fortes do Run. É dedicado Oxumarê;
HUNTÓ ou RUNTÓ: - Ritmo de origem Fon tocado para Oxumarê. Podendo ser executado com cânticos para Obaluaiê e Xangô;
IGBIN: – Quer dizer Caracol. Execução lenta com batidas fortes. É dedicada a Oxalufã;
IJESA: - O ritmo cadenciado tocado somente com as mãos é dedicado a Oxum quando também sua execução é só instrumental;
ILU: – No idioma Yorubá, significa. Atabaque ou tambor;
BATA: - Batá traduz tambor para culto de Egun e Xangô. Ritmo cadenciado especialmente para Xangô.Tocado com as mãos. Podendo também ser tocado para outros Orixás;
KORIN- EWE: - O seu significado: “Canção das Folhas”. Originário de Irawo, cidade onde é cultuado Ossain na Nigéria;
OGUELE: - Ritmo conferido a Obá. Se executado com cânticos para Ewá;
OPANIJE: - Significa “o que mata e come” Dedicado a Obaluaiê, Onile e Xapanã. Movimento lento marcado por batidas fortes do Run;
SATÓ: – Significa a manifestaçao de algo sagrado. A sua execução com um andamento mais rápido e marcado pelas batidas do Run. Oferecido a Oxumarê ou Nanã;
TONIBOBÉ: - seu significado: Pedir e adorar com justiça. Tocado para Xangô.
Axé! Que todos possam sentir na Umbanda e Candomblé uma religião digna de bons ritmos, Vibração e harmonia. E fica aqui meu respeito aos verdadeiros Ogãs, e meu respeito ao atabaque.
Neuza da Oyà

O JOGO DE BÚZIOS

Jogo de Búzios
Jogo de búzios é uma das maravilhas divinatórias utilizado na religião do Candomblé. São muitos métodos de jogo, o mais comum é no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa preparada. Ao iniciar o jogo faz-se a reza e saúda todos os Orixás, e o Orixá conduz o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.
Os Búzios:
Búzio é concha colhida na praia de vários tamanhos, é utilizada também como adorno nas roupas dos Orixás formando diversos desenhos, nos fio-de-contas são colocados como fecho ou como Brajá todo feito de búzios, objeto sagrado de comunicação com os Orixás nas consultas ao jogo de búzios.
Nem todas as pessoas estão aptas para esse tipo de jogo (ler buzios). Esta prática é apenas para as pessoas que sejam preparadas. De forma geral às Yalorixás, Babalorixás, ou filhos no Santo após sua obrigação de sete anos com seus direitos, devidamente instruído e autorizado pela Yalorixás ou Babalorixás.
Outros métodos de Jogo:
A também o jogo com quatro búzios, utilizado nos rituais para perguntas, suas as caídas correspondem às caídas do jogo de Obi. A quantidade de búzios varia de acordo com a nação, o mais comum é composto de 16 ou 17 búzios, o jogo com 21 búzios também é comum.
No passado era feito de modo diferente sentava-se no chão e jogava na própria terra, sem toalhas e enfeites, é um jogo mais simples e rústico. Podem ser jogados apenas em uma toalha branca numa mesa, ou num círculo formado por fio-de-contas (colares) com vários objetos representativos dos Orisàs ou numa peneira também com fio-de-contas e objetos.
A consideração entre aberto e fechado do búzio também pode variar, a grande maioria dos Babalorixás utiliza a abertura natural do búzio como sendo o lado "aberto", mas várias Yalorixás no culto do Candomblé, principalmente na Nação de Keto, jogam como "aberto" o lado em que elas "abriam" o búzio, assim a fenda natural sendo o lado "fechado", afirmando que o verdadeiro segredo em um búzio fica guardado em seu estado natural, este é revelado apenas após sua abertura cerimonial arrancando-se esta parte até então fechada, assim vários Babalorixás e Yalorixás que aprenderam por este método fazem esta forma "invertida" de leitura, ao apresentado nas imagens. Na verdade ao sagrar um formato onde seja considerado aberto/fechado, o Babalorixás ou Yalorixás não mais o inverte e passa aos seus filhos o conhecimento desta forma, assim sendo o cenário de leitura é particular de cada casa.
Fernando do Sangò

FOLHAS NO CANDOMBLÉ

FOLHAS SAGRADAS. SEM FOLHAS, SEM ORISÀ.
"Sem folhas não há Orisà"
Sem folhas no ritual do candomblé é o mesmo que sem orisà.
Desde os tempos antigos e remotos ouvimos dizeres, sortilégio, bem feito com nossas Ervas Sagradas, tem referências de muitas em nossas vidas atribuídas em tudo que passamos a Ingerir, digerir, sentir, tais sensações despertam diversas sensações, como Bem-estar, vibrações que passam por nossos músculos a cada sentido que se choca com nosso corpo físico, sim a Energia da Natureza, a Energia do Orisà, a energia do Mundo.
Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e considerações dos nomes, fato que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Asé.
Temos que ter muita consciência de como usá-las para que não sejamos pegos de surpresa por energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o sumo da Erva em contato com nosso corpo, quando a colhemos.
Ewé, assunto este muito diversificado, muito delicado porque cada nação traz seu ritual. Porém folha é para mesma finalidade, trazer energias boas e positivas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se é necessário para o indivíduo que a usa.
Abaixo aqui deixo alguns de meus conhecimentos em Ewé e que Ossanyin ouça sempre nossas Aduras (Rezas):
Nome Yorubá-Àbámodá
Nome científico - Bryophillum calcinum/ Kalanchoe pinnata
Nome popular-Folha da Fortuna, folha grossa, Milagre de São Joaquim.
Considerações:
Usadas em Cerimônias em Ilè Ifé, Terra de Ifá, para Obatalá e Yemowo conhecidas nas terras de Orisàs como Erun odundun, Kantí-Kantí, Kóropòn segundo Pierre Verger.
Alguns de seus nomes tem significado importante, Àbámodá significa "o que você deseja você faz", mas caso necessária para outras atribuições como substituta do Odundun (Folha-da-Costa), deve ser chamada erú odundun cujo nome significa "Escravo de Odundun", é uma folha muito positiva e considerada de muito prestígios pelos adeptos, em suas folhas nascem brotos nas bordas cuja este representam sinal de prosperidade, fato de ser importante na composição do Àgbo.
No Brasil considerado do Orisà Sangò por muitos Zeladores, porém muitos a usam para os Orisàs Funfun Como Osalà e Ifá. Uso medicinal-Diurético e sedativo, combate nevralgias, encefálicas, dores de dente afecções das vias respiratórias, externamente contra doenças de pele, feridas. Furúnculos, dermatoses em geral.
Nome Yorubá-Ajobi,Ajobi Pupá, Ajobi oilé
Nome científico-Schinus therebenthifolius
Nome popular-Aroeira-comum, aroeira vermelha, pimenta do Peru.
Considerações:
Encontradas em regiões nordeste sudeste e Sul, nos candomblés jejes-nagôs são usadas nos sacrifícios de animais quadrúpedes forrando-se o chão com ela, agrada muito o Orisà para o sacrifício. As Crenças enraizadas dizem que pela manha esta Ewé pertença a Ogun a tarde pertença a Esu e ainda sirva para vestir Ossanyin. Seus galhos são utilizados para ebós e sacudimentos.
Uso na medicina:
Anti-Reumático,sua resina serve para combater bronquites crônicas casca quando cozida, indicada contra feridas, tumores, inflamações em geral, corrimentos e diarréias.
Nome Yorubá-Ajobi Funfun, Ajobi jinjin
Nome Científico-Lithaea molleoides.
Nome Popular-Aroeira branca, aroeira de fruto do mangue, aroeirinha.
Considerações:
Encontradas nos estados do nordeste ao sul principalmente, usada em sacudimentos, sendo considerada uma folha gún (quente), utilizadas em banho de descarrego, porém seu uso é muito restrito, pois não se deve levar esta folha a cabeça para banho. Em algumas casas é proibido seu uso, pois dizem as crenças, que está folha desprende emanações perigosas a quem dela se aproxima necessitando uma cautela significativa para colhê-la, reações, como perturbações na pele e nos olhos.
Uso na medicina:
Excitante e diurética, o cozimento da casca serve para combater diarréias infecções das vias urinárias...
Algumas informações tiradas do livro de Estudo Ewé Orisà de José Flávio Pessoa de Barros, conhecedor nato das folhas.
Nome Yorubá-Akòko
Nome científico-Newboldia laevis Seem
Nome popular-Acoco
Considerações:
Origem África, considerada árvore abundante, provedora de Propriedade, assim diz as explicações no livro Ewé Orisà de José Flavio Pessoa de Barros, Atribuída ao Orisà Ossanyin e Ogun, esta Árvore na África acomoda em suas sombras assentamentos do Orisà Ogun onde seu culto é Extenso, na cidade de Ire.
Também usada no culto aos Ancestrais goza de muito prestígio em nossa Religião.
Nome Yorubá-Amúnimúyè
Nome científico-Centratherum punctatum
Nome popular-Balainho de velho, perpétua.
Considerações:
"Planta considerada misteriosa devida atribuição de seu nome cujo "significa" apossa-de de uma pessoa e de sua Inteligência", por isso usada na iniciação e no agbò de Orisà seu objetivo facilitar o transe do Iyawo que está para nascer, porém esta folha detém este nome pela relação que tem com uma Lenda e que Ossanyin da um preparo para Ossossi beber, no qual depois caiu em um esquecimento profundo passando acima morar nas matas com Ossanyin. Ressalto que este preparo vai muito outros ingredientes, no entanto está Ewé seria considerada indispensável junto a outras.
Nome Yorubá-Apáòká
Nome científico-Artocarpus integrifólia
Nome popular-Jaqueira
Considerações:
No livro Ewé Orisà esta arvore de Origem Indiana medra em diversas regiões inclusive África e Brasil.
Apáòká significa Opa= cajado, cetro+ Oká= serpente africana, nome de uma entidade fito mórfica considerada a mãe de Osossi, cultuada em uma Jaqueira.É uma árvore Sagrada, suas folhas são usadas para assentar Esú e em banhos para os filhos de Sangô, porém seus frutos não devem ser consumidos por esses iniciados.
Seu nome na África Tapónurin cita Verger.
Uso medicinal:
Os caroços da Jaca assados ou cozidos são afrodisíacos, a folha é usada como estimulante, antidiarréico, antiasmático e expectorante.
Citação de Joje Flávio Pessoa de Barros.
Nome Yorubá- Étipónlá
Nome cientifica-Boerhaavia difussa L.
Nome popular-Erva Tostão, bredo de porco, pega pinto, tangaracá
Considerações:
Encontrada em todo território nacional atribuída a Sango e Oya goza de grande prestígio nos terreiros como planta "contra feitiços", ao atribuí-la ao banho deve se ter cautela, pois em demasia pode provocar reações alérgicas no corpo. Reverenciada nos rituais de folha com korin (Ifá owó ifá omo, Ewé Étipónlá 'Bà Ifá orò' cujo significado diz: "Ifá é dinheiro, Ifá são filhos, a folha de Étipónlá é abençoada por Ifá")
Uso medicinal:
Combate afecções renais e das raízes desta Planta se faz um vinho que é diurético e regularizador das funções hepáticas.
Nome Yorubá-Ewé Ogbó
Nome cientifica-Periploca nigrescens
Nome popular-Cipó-de-leite, orelha de macaco, folha de leite, Rama de leite.
Considerações:
Planta trazida do continente africano pelo povo Nagôpara o Brasil, encontra-se em florestas sombreadas ou nos próprios terreiros de Candomblé.
Todos os iniciados podem usá-la sem restrição, porém seu dever que é tirar a consciência do filho de santo só é ativado quando combinados com outras folhas.
Dizem os mais velhos que a estória dos Orisàs narra esta folha como a primeira a se liberada por Ossanyin quando se fez o Vento de Oya, passando a ser folha de Ososi porém algumas outras nações ela é quista com folha principal de Osala, citação de minha pessoa.
Uso Medicinal:
Tratar Epilepsia. Outros nomes que são atribuídos a ela são Ogbó funun, Ogbó pupa, Asogbókan, Asóbomo e gbólogbòlo, citam Verger.
Nome Yorubá: Ewé Ojúùsajú
Nome cientifico: Petiveri Alliacea L.
Nome Popular: Guiné, guiné pipiu, erva-guiné, erva de alho.
Considerações:
Folha encontrada em todo território nacional, porém Verger diz que está Ewé foi levada do Brasil para Nigéria.
Usada para defumações e sacudimentos de pessoas e de casas cuja ação é contra Eguns e "Esus" negativos e em banhos para lavar fios de conta e até cabeça de filhos de santo, atribuída a Ososi e a caboclos.
Na África usada por Babalawos para combater feitiços e obter respeito de "Yami" cita Verger.
Os filhos de Osala e Yemonja em cuba são proibidos de usar esta folha, pois é considerada Ewó em suas origens.
Uso medicinal:
Contra dores de cabeças, enxaquecas, nervosismo e falta de memória, porém em muita quantidade pode atingir a vista chegando provocar até perda da visão, pois é uma Ewé tóxica principalmente a Raiz.
A Tintura que se obtém desta Ewé tem uso externo em fricções no combate a paralisia em geral e reumatismo e a raiz usada contra dor de dente.
Salvo Professor José Flavio Pessoa de Barros
Nome Yorubá-Ewé Lárà Funfun
Nome cientifico-Ricinus communis L.
Nome popular mamona, Mamona Branca, mamoneira, Palma-de-Cristo.
Considerações:
De origem Africana que era encontrada no Antigo Egito. Ocorre com muita fartura em todo território nacional.
Folha com diversas finalidades nas festividades como Olubajé ritual de Obalwuayie, Sassanhe, Ebós etc...
Atribuída a Osala é uma folha muito usada pelos adeptos, sendo indispensável em alguns rituais.
Uso medicinal:
As folhas cozidas com sal podem aliviar o inchaço dos pés, e contra prisão de ventre uma vez que esta Ewé possui uma semente que paralelamente é absorvido dele o óleo de Rícino, é purgativo.
Texto e Adaptação de Amaro Santana Silva Netto (Babalossanyi).